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terça-feira, 24 de junho de 2014

O DIÁLOGO DOS AMANTES




           
No século XIX, Machado de Assis escreve “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e, no capítulo LV, descreve o que os amantes, Brás Cubas e Virgília, enamorados que estavam, deviam conversar ou fazer em seus encontros e diz ainda que não é necessário dizer a alguém o que dois seres enamorados se dizem em um encontro. O capítulo se resume neste quadro que vemos abaixo, embora ele o tenha feito um pouco maior.
 O amor, em cada tempo e todo o tempo, é o mesmo; a sua forma de expressão muda conforme o estilo pessoal, ou seja, cada um dá àquilo que sente uma forma e a expressa de acordo com seu desejo ou sua disposição, ou ainda, o seu sentimento amoroso.

Brás Cubas
........................................?
Virgília
.................................
Brás Cubas
...............................................!! ?.......................................?..............
Virgília
.....................!...............................................................!!
Brás Cubas
................................?...................................!.......................?
Virgília
......................! ...........................................................? !

            O namoro, encontro de duas pessoas que se olham e se reconhecem como parceiros, não é mais reconhecido, claro, como nos tempos antigos. Camões já cantava o amor como força vital para o homem, mas ele mesmo, pelo que se lê nos livros, não teve grande retidão no amor. Mesmo assim, deixou-nos belos poemas de amor, os seus famosos sonetos.
            E parece-nos que suas palavras viam que o sofrimento era um grande parceiro dos apaixonados, segundo nos comprovam seus  próprios versos: “Ah o Amor... que nasce não sei  onde ,vem não sei como e dói não sei por quê”.
            As experiências pessoais são as mais precisas, em se tratando de relações amorosas, embora todos nós continuemos a esconder debaixo do tapete muitos fatos que nos aprisionam em nós mesmos. Histórias reais de encantos e desencantos devem correr todas as ruas, todas as casas, a todo momento,  mas, ante essas nós nos calamos: os fatos reais não nos  trazem a mesma beleza que as histórias romanceadas por bons escrevinhadores.
            No século XX, Fernando Pessoa, que não sei se soube amar com grande coração, disse que “todas as cartas de amor são ridículas / Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas / Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas”. Será que pensar o amor, assim ridículo, é fruto do desencanto?
            Atualmente, já no século XXI, o que se vê são mensagens escritas através de celulares, facebook, onde as pessoas, de modo geral jovens, meninos e meninas, ainda bem sonhadores e desejosos de encontrarem um par para sempre, abrem o coração em palavras e nada escondem dos seus sentimentos.
            O que antes exigia uma boa dose de contenção, hoje chega a ser bem permissivo. Ninguém esconde mais nada: palavras, gestos, corpo, sentimento. Tudo é possível e louvável. Chamam a isso de libertação total. 
            Pesquisei alguns modelos de mensagens para ajustar minhas palavras anteriores e deixo claro que não há nenhuma crítica sobre o fato, só uma constatação. Lógico que não vejo todas as coisas com olhos de adolescente, mas, também, não quero me posicionar como uma fora do tempo.
“ Estar com você ontem, hoje e amanhã foi o melhor presente que eu poderia ganhar do meu coração”.
“ É verdade que preciso do meu coração para viver... mas preciso muito mais do teu para o fazer bater”.
“ Importante não foi o dia que te conheci, mas o momento em que você passou a viver dentro de mim”.
“ Eu amo tudo em você, amo o jeito de olhar, a carinha de quem não tá entendendo nada, seu jeito distraído, a forma como você joga o cabelo, mas, principalmente, amo seu jeito meigo e diferente de ser”.
“ Você é único motivo para eu estar feliz neste dia tão especial”.
“ As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar”.
“ Que esse dia não seja apenas um dia como todos, mas sim, um dia especial, assim como você é para mim”.
“ Ainda bem que a gente se encontrou: não consigo viver sem você”.
“ Se eu tivesse cem corações, todos seriam seus”.
“ “ Amor, para mim, você será sempre um eterno namorado”.
“ Se a tua vida depender do meu amor, viverás além da vida, pois eu te amo além do amor”.
“ Juntos temos sonhos, esperanças, planos e, principalmente, temos o amor que nos torna capazes de ousar e de acreditar que nossos amanhãs serão brilhantes”!.
“ Quando duas pessoas se amam, elas não se submetem e não se dominam. Apenas se completam”.
“ Mais um dia para comemorarmos juntos: obrigado por você existir”.
“ Um sonho sonhado com você é uma nova realidade”.
“ O amor está no ar esta semana: ´Dia dos Namorados`”.
“ Parabéns pelo nosso dia e obrigado por fazer parte da minha vida e torná-la tão bela”.
“ Tudo que eu quis para minha vida se resume no que nós sentimos um pelo outro: Amor e mais Amor”.
“ Sabe o que me faz tão feliz nesta data especial? _ Você”.
“ Eu agradeço a Deus que fez você pra mim e me fez pra você e fez a gente se encontrar”.
“ Your words are my food, your breath is my wine; You are everything to me”.
“ O meu amor por você só cresce a cada dia”.
“ Ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem”.
“ Ontem você era meu sonho; hoje você é minha felicidade”.
“ O amanhã pode ser incerto, mas o amor que sinto por você, esse é certo, único e eterno”.
“ Eu amo amar você”.
            Todas as palavras de amor são ditas abertamente, para que todos vejam e ouçam. Qual dois tempos pode ser considerado melhor? Aquele em que só os corações podiam perceber ou este que deixa a palavra no facebook? É possível fazer equivalência?
            Com tudo isso, concluo que o amor nos dá um parecer sobre os fatos no tempo e sobre o tempo nos fatos. O tempo vai andando, as palavras vão ganhando novas verdades, em qualquer língua, as consciências vão entrando em fotos mais coloridas e diversificadas e todas as impressões vão se tornando realidade.
            Bom mesmo é saber que será continuadamente assim, na infinitude das almas e na real sensação de todos nós.
            Parabéns a todos os casais que namoram, enamorados que eram, que são e que serão. Serão?

A REVOLTA DOS CÃES



A REVOLTA DOS CÃES

Carlos Roberto de Souza



Moro em uma rua cujo nome é “Andorinhas”. Até aí nada demais. Entretanto, o problema não são as andorinhas (que nem dão suas caras por aqui), e sim uma manifestação canina que vem crescendo a cada dia.

Eles latem com todos os pulmões, dividem as pulgas e não os pães, correm atrás de desavisados e mordem seus calcanhares só para “aporrinhar”. E para fechar a fatura: defecam em quase toda a extensão. Creio que nem todas as andorinhas reunidas in loco seriam capazes de produzir tanto dejeto!

Alguns deles foram gentilmente trazidos pelos moradores, porém os próprios jogaram a tolha no mesmo dia, ou seja, deixaram os caninos à mercê do seu instinto de sobrevivência. É mole!?

Os cães de hoje são espertos, e já formaram até sindicatos.

Você duvida? Então chute algum pela frente ou jogue uma pedra para ele se afastar, é bem provável que um bando surja e ponha você pra correr; e ai daquele que comprar a briga!

Quando se caminha por esta rua não dá pra saber o que é asfalto ou buraco... Tudo foi tomado pelas fezes. Nessa hora você não acha o dono da arte e muito menos a cara do “patrão”, já que o quadro revela que os cães começaram uma revolução.

O grito de guerra!? Ora não poderia ser outro senão: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira” (olha a marchinha gente!).

De vez em quando eu vejo o meu cachorro da raça Pinscher cochichando com um desses comparsas junto ao portão. Humm! Sei não, mas acho que o meu cachorro está me traindo...

Vou ter que pisar em ovos daqui pra frente. Enfrentar esse baixinho é moleza, mas um bando de “tomba latas” revoltados “é osso”.



*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras

quinta-feira, 15 de maio de 2014

E O OSCAR VAI PARA...


E O OSCAR VAI PARA...

*Carlos Roberto de Souza

 

No dia 09 de março deste ano, O Fantástico exibiu uma reportagem sobre o abandono estrutural e humano do ensino público. Tal matéria meu causou espécie: como pode o Brasil – que se vangloria membro do B.R.I.C.S [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] – manter escolas sem condições de ensino onde alunos e professores sofrem indignados?

A reportagem mostrou escolas de Alagoas, Pernambuco e Maranhão literalmente sem teto, sem água potável, carteiras quebradas, chão esburacado e sem banheiros (em algumas tanto alunos quanto professores faziam suas necessidades no mato). Os alunos tinham que acordar de madrugada para pegar um “caminhão pau-de-arara” até às escolas. Outros eram obrigados a percorrer uma longa distância a pé em lamaçais. Um quadro patético!

Eu me pergunto onde está o tão difundido projeto “Criança Esperança” da Rede Globo, causador de euforia e lágrimas? Onde os políticos – cujos filhos formados nas melhores universidades – esconderam o que sobrou de sua pífia vergonha? Ah, que saudade dos atos estudantis da década de 1960, quando Jovens saíam às ruas para protestar e enfrentar a truculência da Ditadura... E o que restou da nossa Democracia mundana? Nada a não ser uma “Faixa de Gaza” cujas pedras são insuficientes para atingir o âmago do caos.

O Governo (municipal, estadual e federal) merecia uma indicação ao “Oscar de Efeitos Especiais” devido à violência urbana gratuita, drogas vendidas e consumidas a céu aberto, roubos, sucateamento do ensino público, desvalorização do professor e pelos buracos [plagiados da trilogia “Jurassic Park”] que tomam milagrosamente nossas ruas e avenidas.

O tapete vermelho da infâmia foi estendido; Sobre ele veremos os mais sórdidos políticos, tecnocratas e candidatos ao vestibular da roubalheira caminharem com altivez. O que mais me intriga, porém, é saber que com o passar do tempo, tudo isso será esquecido para ceder (em primeira mão) colunas para os babados, furos jornalísticos e meia página para os jardineiros dedurarem seus chefes.

Portanto, alegrai-vos! Pois novamente seremos lobotomizados com o que não enxergamos além dos nossos narizes.

 

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*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras.

GOOOOOOOL...


GOOOOOOOL...

(A COPA DA COZINHA É NOSSA!)

 

*Carlos Roberto de Souza

 

O mês de junho está chegando e com ele a grande expectativa: A Copa do Mundo de Futebol, eta!!!

O que me espanta é saber que durante os jogos, uma amnésia coletiva tomará conta do país. Até os índices de roubo e furto vão despencar, já que a malandragem patriótica estará – como todo cidadão – torcendo pelo nosso país.

Como dizia o escritor e jornalista Nelson Rodrigues: “O Brasil é a pátria de chuteiras”.

Antes da partida inicial, porém, o corre-corre e a euforia tomarão conta da cidade em proporções inimagináveis: o trânsito (que já era caótico) será a imagem surrealista do próprio marasmo; pacientes espalhados nos corredores de hospitais detentores de “ISO” aguardarão pacientemente a chegada de um médico.

O Congresso, o Senado, o Itamaraty, entre outras Instituições farão brindes regados a Moët Chandon. O (1.9.0) estará distribuindo a famosa evasiva: “Estamos atendendo uma ocorrência”…

A questão é: a Copa do Mundo faz milagres, ou o povo brasileiro é milagreiro? 

Creio que a primeira questão se encaixe nas entrelinhas, pois embora o povo não caminhe sobre as águas, ele se afunda nas enchentes;

Ele não multiplica os pães, contudo, sua fome é inesgotável;

Ele não tem um Judas à sua direita, mas traidores de colarinho branco;

Ele não foi visitado pelos reis magos, mas encontra em cada esquina mágicos capazes de fazer sumir um carro, uma carteira, uma motocicleta…

Por fim ele carregará a cruz que não será fincada no calvário, mas no morro onde o “pó branco” é a redenção.

... E a bola começa a rolar. Agora o bicho pega (ué, não pegou ainda?).

O lateral corre, dribla um, dois, três, cruza a bola com atitude. O centroavante corre até a área, mata a bola no peito e antes que ela toque o chão ele a chuta.

A respiração cessa, o coração dispara, o nó na garganta enforca; a bola cobre o goleiro, balança a rede...

Um grito uníssono de alegria é ouvido em todo país. Quem dera fosse um BASTA!

 

*Poeta, editor e membro da Academia Machadense de Letras.

 

 

 

sábado, 15 de março de 2014

PROJETO BOM DE BOLA, BOM DE ESCOLA



“PROJETO BOM DE BOLA, BOM DE ESCOLA”






Amarildo Fernandes (funcionário do Pastifício Santa Amália) nasceu na cidade de Cabreúva (SP), em 10 de dezembro de 1977.

Apaixonado pelo futebol, ele é o responsável pelo projeto social “Bom de Bola, Bom de Escola”. Idealizado no ano de 2013, em Carvalhópolis (MG) e apoiado por alguns vereadores – entre eles, Luiz Costa –, este projeto tem com objetivo: educar crianças e formar cidadãos.

Ao todo são 40 crianças que já participaram em torneios realizados nesta cidade.
Através dessa e de outras modalidades, os alunos não só aprendem o valor da participação coletiva, como também a arte de saber lidar com as pessoas respeitando seus espaços e opiniões”, concluiu Amarildo.

QUAL A MINHA AFINIDADE COM A MATEMÁTICA?



QUAL A MINHA AFINIDADE COM A MATEMÁTICA?

*Sarah Aparecida da Silva Cruz

Eu e a matemática somos irmãs.
Quando nos entendemos damos super bem, mas às vezes ela arruma uma confusão e brigamos de montão. Ela está presente no meu dia-a-dia, nas contas do troco da padaria. Tem dias que ela fica complicada, mas eu a entendo bem e a gente segue a caminhada.
Ela é complicada e não fica nada perfeitinha quando brinca de esconder os números atrás de umas letrinhas. A matemática evoluiu de acordo com o meu crescimento. É preciso estudar para não parar no tempo.

Ela me ensina muito e eu aprendo bem. Gosto de rimar com ela; que mal tem? Completamos uma a outra pelo resto da vida; ela vai continuar presente no meu jogo da loteria.
Seguimos felizes eu e ela na estrada, quebrando a cara, mas não desistindo da jornada.

*Estudante do [9º ano / 8] da Escola Estadual Gabriel Odorico (Machado-MG)


Foto: http://hypescience.com/27202-meninas-herdam-o-medo-de-matematica-de-suas-professoras/